quarta-feira, 12 de março de 2014

EDUCAÇÃO ESCOLAR DE PESSOAS COM SURDEZ



Durante dois séculos aproximadamente, travou um confronto político e epistemológico entre os defensores das abordagens gestualistas e oralistas em defesa da educação das pessoas com surdez. Essa discussão foi destaque nas políticas públicas, nos debates, nas pesquisas cientificas, assim como, nas ações pedagógicas desenvolvidas em prol da educação desses alunos na escola comum ou especial. Para Damázio e Ferreira (2010), enquanto as discussões ficam centradas na aceitação de uma língua ou de outra, as pessoas com surdez não tem seu potencial individual e coletivo desenvolvido, ficam desprezadas a segundo plano e descontextualizadas das relações sociais das quais fazem parte, isto é, excluídas. No Brasil, a educação especial na perspectiva inclusiva principalmente para pessoas com surdez, nestes últimos séculos vem sendo fortalecidas através das conquistas dos movimentos sociais das pesquisas acadêmicas das teorias de diversos estudiosos que visão a valorização da diversidade social dessas pessoas e o reconhecimento do potencial de cada um.
Conforme Damázio (2007) a inclusão do aluno com surdez deve acontecer desde a educação infantil até a educação superior, garantindo-lhe, desde cedo a utilizar os recursos de que necessita para superar as barreiras no processo educacional e usufruir seus direitos escolares, exercendo sua cidadania de acordo com os princípios constitucionais do nosso país. Diante do pressuposto a Politica Nacional de Educação Especial na Perspectiva Inclusiva, propõe uma educação em que todos os alunos devem aprender em condições de igualdade sem sofrer nem um tipo de preconceito e descriminação. E que a aprendizagem por eles desenvolvida seja significativa para sua formação pessoal enquanto seres dotados de potencialidade e habilidades ( MEC/SEESP, 2007). Neste sentido, não podemos enxergar a pessoa com surdez como um ser incapaz, pois ela não é, apenas possui perda sensorial auditiva, o que a limita biologicamente para essa função perceptiva. Por outro lado são pessoas que pensam, raciocinam e que precisa de um ambiente escolar estimulador e que explore suas capacidades em todos os sentidos. Sendo assim, Para Damázio e Ferreira 2010, p.49: devemos “pensar e construir uma prática pedagógica que se volte para o desenvolvimento das pessoas com surdez na escola”. Sendo assim, se faz necessário desenvolver uma prática pedagógica voltada para a abordagem bilíngue, onde será aplicada a obrigatoriedade dos dispositivos legais do Decreto 5626, de 5 de dezembro de 2005, que determina o direito de uma educação que garanta a formação da pessoa com surdez em que a Língua Brasileira de Sinais e a Língua Portuguesa preferencialmente na modalidade escrita constituam línguas de instrução e que o acesso às duas línguas ocorra de forma simultânea no ambiente escolar colaborando para o desenvolvimento de todo processo educativo. Diante do exposto, a proposta de educação bilíngue pauta a organização da prática pedagógica na escola comum, na sala de aula e no Atendimento Educacional Especializado. Esse atendimento tem como objetivo organizar o trabalho complementar para a classe comum, como visa à autonomia e a independência social, afetiva, cognitiva e linguística da pessoa com surdez na escola e fora dela. Nele, segundo Damázio e Ferreira (2010) destacam-se três momentos didático-pedagógicos, que são: AEE EM LIBRAS, DE LIBRAS e O ENSINO DA LINGUA PORTUGUESA. Os mesmos serão administrados por profissionais que tenham formação especifica para atuar em cada um. 

REFERÊNCIAS 
Coletânea UFC-MEC/2010: A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar. Fascículo 05: Educação de Pessoa com Surdez – Atendimento Educacional Especializado em Construção, p. 46-57. DAMÁZIO, Mirlene Ferreira Macedo. Formação Continuada a Distância de Professores para o Atendimento Educacional Especializado: pessoa com surdez/ SEESP/SEED/MEC – Brasília/DF – 2007. DAMÁZIO, M. F. M.; ALVES, C. B. Atendimento Educacional Especializado do aluno com surdez. Capítulo 2. São Paulo: Moderna, 2010.