quarta-feira, 2 de julho de 2014

AEE - Metodologia da Pesquisa

Estabelecendo Relações entre o AEE e o texto “O Modelo dos Modelos” do Autor Ítalo Calvino


Segundo o texto “O Modelo dos Modelos” do autor Ítalo Calvino, revela que houve uma época na vida do senhor Palomar que sua primeira regra era construir um modelo na mente, o mais perfeito, lógico, geométrico possível; a segunda, verificar se tal modelo se adaptava aos casos práticos observáveis na experiência; a terceira, proceder às correções necessárias para que o modelo e realidade coincidam.
     Dessa forma cabe a nós enquanto professores do ensino comum e do atendimento educacional especializado- AEE refletir sobre as mudanças da nossa prática pedagógica diante de uma educação inclusiva, pois precisamos romper com a perspectiva homogeneizadora e adotar estratégias que possibilite a aprendizagem de todos de acordo com a especificidade de cada um.
     O autor menciona que “a regra do senhor Palomar foi aos poucos se modificando: agora já desejava uma grande variedade de modelos, se possíveis transformáveis uns nos outros segundo um procedimento combinatório, para encontrar aquele que se adaptasse melhor a uma realidade que por sua vez fosse feita de tantas realidades distinta, no tempo e no espaço”.
      Nesse sentido a inclusão de alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação em salas de aula do ensino comum nos traz um olhar para as mudanças e para a adaptação de velhos hábitos. É sem dúvida um desafio de mudar, de agir e de pensar diante de uma educação inclusiva onde todos devem participar ativamente do professor escolar de acordo com suas capacidades e habilidades. Onde precisamos transformar a realidade da escola para que possamos trabalhar com a diversidade na tentativa de formar uma sociedade mais solitária, mais igualitária e com oportunidade para todos. Vale ressaltar que as mudanças não acontecem por acaso e sim a partir da vontade politica do coletivo da escola. Através do seu Projeto Político Pedagógico – PPP e vivenciado por uma gestão escolar democrática.
      Nessa perspectiva foram criadas as Salas de Recursos Multifuncionais onde se realiza o Atendimento Educacional Especializado este com o objetivo de identificar, elaborar e organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade que possam eliminar as barreiras, garantindo assim a plena participação dos alunos no processo educacional, considerando suas necessidades específicas, visando assegura ao seu público alvo – alunos da Educação Especial – a participação, independência, autonomia na construção do seu conhecimento dentro e fora da escola. Sendo assim, parte integrante do projeto político pedagógico da escola.
Agora só “restava para o senhor Palomar apagar da mente os modelos dos modelos”.
Pois não existem modelos prontos e perfeitos voltados para o AEE, cada educador da educação especial deve formular seu próprio modelo de acordo com as peculiaridades de cada aluno, visando não à deficiência e sim a necessidade, capacidade e a habilidade do mesmo, através da execução de um plano de AEE elaborado pelo professor após a realização minuciosa do estudo de caso. Esse plano deve garantir ao aluno a sua participação no processo escolar e na vida social em geral segundo suas capacidades.

Referência
Brasil, Secretaria de Educação Básica, Diretoria de Apoio à Gestão Educacional. Caderno de educação especial: a alfabetização de crianças com deficiências: uma proposta inclusiva / Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, Diretoria de Apoio à Gestão Educacional. – Brasília: MEC, SEB, 2012.











quinta-feira, 5 de junho de 2014

RECURSOS DE BAIXA TECNOLOGIA

Recursos e Estratégias em Baixa Tecnologia que podem apoia-los no desenvolvimento de alunos com TGD, ou seja, Transtorno do Espectro Autista.

Recursos na comunicação aumentativa e alternativa (CAA)

A Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) se refere a uma das áreas da TA (Tecnologia Assistiva) que atende pessoas sem fala ou escrita funcional ou em defasagem entre sua necessidade comunicativa e suas habilidades em falar e / ou escrever. Tenta então, construir e ampliar sua via de expressão através de recursos como as simbologias gráficas (desenhos repetitivos de ideias), letras ou palavras escritas, que são utilizados pelo usuário da CAA para expressar suas questões, desejos, sentimentos e entendimentos (BERSCH & SCHIRMER, 2005).
Os recursos de baixa tecnologia são aqueles que podem ser confeccionados pelo professor do AEE e disponibilizados ao aluno para serem utilizados na sala de aula comum ou em demais locais de necessidades do aluno, buscando solucionar as dificuldades funcionais do mesmo (SARTORETTO & BERCH, 2010).
Esses recursos visam proporcionar aos alunos com autismo, meios diversos para estabelecer a comunicação de acordo com as necessidades de cada um, promovendo o desenvolvimento de possibilidades e tornando-as ativas nas relações interpessoais.
Os recursos de comunicação pode variar quanto ao formato, tamanho, quantidade de mensagens e material utilizado para sua confecção. Vejamos alguns exemplos de prachas e cartões de comunicação que visam garantir a esses alunos meios de expressarem suas habilidades, dúvidas e necessidades.


Prancha de comunicação alfabética



Descrição de imagem:
Sobre uma mesa está uma pasta de comunicação e nela, há uma prancha que contém as letras do alfabeto e os números. O usuário está apontando o dedo indicador na letra "X".


Prancha de comunicação com símbolos, fotos ou figuras.




Descrição de imagem:
Uma pasta do tipo arquivo, contendo várias páginas de sacos plásticos transparentes está sobre o colo de um usuário de CA. Cada página representa uma prancha de comunicação temática e na imagem visualiza-se a prancha com o tema "animais".


Porta-pranchas




Descrição de imagem:
Carteira do tipo porta documentos com páginas de sacos plásticos onde estão pranchas de comunicação com símbolos de alimentos.
Pasta com sacos plásticos, em tamanho ofício, encadernados em espiral, e cada página há uma prancha temática de símbolos gráficos.




Descrição de imagem:
Pastas tipo cardápio, trifolder ou duplas, apresentam modelos de grades com diferentes tamanhos e quantidades de espaços para símbolos.
Visualiza-se também uma pasta dupla onde está uma prancha para escolhas de materiais de artes.




Cartões de comunicação



Descrição de imagem:
A imagem apresenta vários cartões de comunicação com símbolos gráficos representativos de mensagens. Os cartões estão organizados por categorias de símbolos e cada categoria se distingue por apresentar uma cor de moldura diferente: cor de rosa são os cumprimentos e demais expressões sociais, (visualiza-se o símbolo "tchau"); amarelo são os sujeitos, (visualiza-se o símbolo "mãe"); verde são os verbos (visualiza-se o símbolo "desenhar") ; laranja são os substantivos (visualiza-se o símbolo "perna"), azuis são os adjetivos (visualiza-se o símbolo "gostoso") e branco são símbolos diversos que não se enquadram nas categorias anteriormente citadas).


Prancha de comunicação da rotina diária



Descrição de imagens: Nas imagens visualizamos uma criança fazendo o uso do banheiro e lavar as mãos.


REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

SARTORETTO, Maria Lúcia.A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão:recursos pedagógicos acessíveis e comunicação aumentativa e alternativa. Brasília: Ministério da Educação, Secretária de Educação Especial; Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2010.


segunda-feira, 21 de abril de 2014

SURDOCEGURIA E DEFICEÊNCIA MÚLTIPLA



  A surdocegueira é uma deficiência única caracterizada pelo prejuízo de dois sentidos a visão e audição, simultaneamente e em graus de perda diferentes, gerando necessidades especiais de comunicação e extrema dificuldade na conquista de metas educacionais, vocacionais, recreativas, sociais, para acessa informações e compreender o mundo que o cerca. Muitos autores defendem a surdocegueira como única não como a somatória de dois comprometimentos sensoriais. A mesma pode ser congênita (quem nasce com esta única deficiência) ou adquirida (quando a pessoa nasce ouvinte, vidente, surda ou cega e adquire, por deferentes fatores a surdocegueira). Sendo assim os tipos de surdocegueira são:

  • Cegueira congênita e surdez adquirida
  • Cegueira congênita e surdez adquirida
  • Surdez Congênita e Cegueira Adquirida
  • Baixa Visão com surdez congênita ou adquirida
  • Cegueira e surdez congênita

A deficiência múltipla é um termo adotado para caracterizar o conjunto de duas ou mais deficiências associadas, de ordem física, sensorial, intelectual, emocional ou de comportamento social. No entanto vale ressaltar, que não é o somatório dessas alterações que caracterizam a múltipla deficiência, mas sim o nível de desenvolvimento, as possibilidades funcionais de comunicação, interação social e de aprendizagem que determinam as necessidades educacionais dessas pessoas.
Diante do pressuposto a educação inclusiva em prol das “pessoas com deficiências múltiplas lançam desafios à escola e os profissionais que com elas trabalham no que diz respeito à elaboração de situações de aprendizagem a serem desenvolvidas para que sejam alcançados resultados positivos ao longo do processo de inclusão” (UFC/MEC, 2010).
         As principais necessidades das pessoas com surdocegueira e com deficiências múltiplas em grave estadoé primordial o desenvolvimento do esquema corporal dessas pessoas e àqueles que não apresentam graves problemas motores, faz-se necessário aprender a usar as duas mãos para que possa facilitar o desenvolvimento de um  sistema estruturado de comunicação. Assim como a disponibilização de recursos que estimule a aquisição da linguagem estruturada no registro simbólico, tanto verbal, como gestual entre outros. Quando esses processos são prejudicados causam déficit de aprendizagem e de convívio social.
         A comunicação é um processo interpessoal e deve acontecer de acordo com as possibilidades comunicativas de cada indivíduo, para que o mesmo se sinta seguro e não perca a motivação para continuar aprendendo. Neste caso, para as pessoas com surdocegueira e com deficiência múltipla a comunicação pode ser desenvolvida mediante a necessidade da mesma que pode ser Receptiva por meio de uma fonte e forma ( escrita, fala, Libras, e tec.) ou Expressiva realizada por meio do uso de ( objetos, gestos, movimentos corporais, fala, escrita, figuras e demais outras formas), de modo que favoreça a eficiência da transmissão e interpretação.

REFERÊNCIAS

BOSCO, Ismênia C. M. G.; MESQUITA, Sandra R. S. H.; MAIA, Shirley R. Coletânia UFC-MEC/2010: A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar – Fascículo: Surdocegueira e Deficiência Múltipla (2010).
BRASIL, Ministério da Educação e da Cultura. Saberes e Prática da Inclusão. Dificuldade de comunicação e sinalização: Surdocegueira/múltipla deficiência sensorial. Secretaria de Educação Especial- Brasìlia: MEC/SEESP – 2006.




quarta-feira, 12 de março de 2014

EDUCAÇÃO ESCOLAR DE PESSOAS COM SURDEZ



Durante dois séculos aproximadamente, travou um confronto político e epistemológico entre os defensores das abordagens gestualistas e oralistas em defesa da educação das pessoas com surdez. Essa discussão foi destaque nas políticas públicas, nos debates, nas pesquisas cientificas, assim como, nas ações pedagógicas desenvolvidas em prol da educação desses alunos na escola comum ou especial. Para Damázio e Ferreira (2010), enquanto as discussões ficam centradas na aceitação de uma língua ou de outra, as pessoas com surdez não tem seu potencial individual e coletivo desenvolvido, ficam desprezadas a segundo plano e descontextualizadas das relações sociais das quais fazem parte, isto é, excluídas. No Brasil, a educação especial na perspectiva inclusiva principalmente para pessoas com surdez, nestes últimos séculos vem sendo fortalecidas através das conquistas dos movimentos sociais das pesquisas acadêmicas das teorias de diversos estudiosos que visão a valorização da diversidade social dessas pessoas e o reconhecimento do potencial de cada um.
Conforme Damázio (2007) a inclusão do aluno com surdez deve acontecer desde a educação infantil até a educação superior, garantindo-lhe, desde cedo a utilizar os recursos de que necessita para superar as barreiras no processo educacional e usufruir seus direitos escolares, exercendo sua cidadania de acordo com os princípios constitucionais do nosso país. Diante do pressuposto a Politica Nacional de Educação Especial na Perspectiva Inclusiva, propõe uma educação em que todos os alunos devem aprender em condições de igualdade sem sofrer nem um tipo de preconceito e descriminação. E que a aprendizagem por eles desenvolvida seja significativa para sua formação pessoal enquanto seres dotados de potencialidade e habilidades ( MEC/SEESP, 2007). Neste sentido, não podemos enxergar a pessoa com surdez como um ser incapaz, pois ela não é, apenas possui perda sensorial auditiva, o que a limita biologicamente para essa função perceptiva. Por outro lado são pessoas que pensam, raciocinam e que precisa de um ambiente escolar estimulador e que explore suas capacidades em todos os sentidos. Sendo assim, Para Damázio e Ferreira 2010, p.49: devemos “pensar e construir uma prática pedagógica que se volte para o desenvolvimento das pessoas com surdez na escola”. Sendo assim, se faz necessário desenvolver uma prática pedagógica voltada para a abordagem bilíngue, onde será aplicada a obrigatoriedade dos dispositivos legais do Decreto 5626, de 5 de dezembro de 2005, que determina o direito de uma educação que garanta a formação da pessoa com surdez em que a Língua Brasileira de Sinais e a Língua Portuguesa preferencialmente na modalidade escrita constituam línguas de instrução e que o acesso às duas línguas ocorra de forma simultânea no ambiente escolar colaborando para o desenvolvimento de todo processo educativo. Diante do exposto, a proposta de educação bilíngue pauta a organização da prática pedagógica na escola comum, na sala de aula e no Atendimento Educacional Especializado. Esse atendimento tem como objetivo organizar o trabalho complementar para a classe comum, como visa à autonomia e a independência social, afetiva, cognitiva e linguística da pessoa com surdez na escola e fora dela. Nele, segundo Damázio e Ferreira (2010) destacam-se três momentos didático-pedagógicos, que são: AEE EM LIBRAS, DE LIBRAS e O ENSINO DA LINGUA PORTUGUESA. Os mesmos serão administrados por profissionais que tenham formação especifica para atuar em cada um. 

REFERÊNCIAS 
Coletânea UFC-MEC/2010: A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar. Fascículo 05: Educação de Pessoa com Surdez – Atendimento Educacional Especializado em Construção, p. 46-57. DAMÁZIO, Mirlene Ferreira Macedo. Formação Continuada a Distância de Professores para o Atendimento Educacional Especializado: pessoa com surdez/ SEESP/SEED/MEC – Brasília/DF – 2007. DAMÁZIO, M. F. M.; ALVES, C. B. Atendimento Educacional Especializado do aluno com surdez. Capítulo 2. São Paulo: Moderna, 2010.